Mensagem do Presidente

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O ano de 2015 foi marcado por alguns eventos e ações fundamentais que, seguidas por uma continuidade de movimentos consistentes, poderão assegurar o almejado reequilíbrio sustentável do setor elétrico brasileiro e reduzir a judicialização excessiva que temos vivenciado.

A introdução do sistema de Bandeiras Tarifárias e as Revisões Tarifárias Extraordinárias, implementadas entre os meses de janeiro e março de 2015, aproximou a tarifa de energia elétrica à realidade dos custos de fornecimento. A definição de metodologia mais coerente para o 4º. Ciclo de Revisão Tarifária, iniciado em 2015, vem contribuindo também para a correção de distorções e fragilidades remanescentes do ciclo tarifário anterior.

A viabilização de uma solução para o risco hidrológico, que se mostrou efetiva estritamente para os geradores hidrelétricos que comercializaram sua energia no mercado regulado, restaurou certo equilíbrio na equação de riscos a que esses geradores foram expostos, no período de hidrologia crítica e elevado despacho térmico, entre 2014 e 2015.

A recuperação do regime hidrológico, beneficiado pelos efeitos do fenômeno El Niño, neste período de chuvas de 2015/2016, auxiliado pela continuidade de um despacho térmico médio de 15,4 GW, em conjunção com a queda de consumo de energia de 2%, em um quadro de significativa retração econômica, tem resultado em marcante recuperação dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas brasileiras, estabelecendo uma perspectiva de redução dos custos de fornecimento de energia elétrica.

Por outro lado, as distribuidoras de energia já enfrentam questões de sobrecontratação em suas posições de energia, e o PLD não tem traduzido o custo real de parte da recuperação dos reservatórios, em vista do despacho de térmicas fora da ordem de mérito.

Em 2015, investimos cerca de R$ 1 bilhão em nossos negócios de distribuição e geração de energia elétrica. Em 2016, investiremos R$ 1,1 bilhão. Até 2019, planejamos investimentos estimados de R$ 5 bilhões na distribuição e geração de energia, buscando a melhoria contínua da qualidade dos serviços prestados por nossas distribuidoras, afetadas por eventos climáticos de elevada intensidade, modernização de nossas unidades geradoras e maior eficiência em todas as nossas operações, com aporte de novas tecnologias. Nossa expectativa é de recuperação significativa de nossos indicadores de qualidade, que passaram por processo de saneamento na AES Eletropaulo, em vista de inconsistências identificadas em nossos processos de verificação interna, já comunicadas ao Regulador.

Os investimentos e ações de recuperação desses indicadores já vêm dando resultados. Na AES Eletropaulo, por exemplo, apurações preliminares para o mês de janeiro de 2016 apresenta um DEC de 1,61 horas, uma melhora de 56% em relação ao mês de janeiro de 2015, e um FEC de 0,58 vezes, uma redução de 17% em relação ao mesmo mês de 2015.

Consolidamos o programa Jeito AES de Atender na AES Eletropaulo (JAAT), visando maior assertividade durante as interações com nossos clientes nos vários canais de atendimento. O programa foi iniciado também na AES Sul e ampliado para AES Tietê, considerando as peculiaridades de cada negócio. Em 2015, treinamos 8,6 mil colaboradores próprios e contratados das empresas AES, visando melhorar continuamente a qualidade do atendimento aos nossos clientes.

Em relação ao nosso Valor número 1, a segurança, continuamos a aprimorar os processos e programas, reforçando iniciativas junto aos nossos colaboradores próprios e contratados, com foco na cultura de segurança em todas as empresas do Grupo. O objetivo é reverter o quadro de 2015, e voltar a zero acidentes fatais em 2016.

Aprimoramos os processos de gestão de nossos ativos dentro dos padrões da certificação ISO 55.001 na AES Eletropaulo, AES Tietê e AES Sul, que se tornaram as primeiras empresas do setor elétrico brasileiro a estabelecer este padrão.

Para dar maior agilidade à nossa estratégia no País, concluímos ao final de 2015 a reestruturação societária da, agora, AES Tietê Energia, que se tornou nossa plataforma exclusiva de crescimento em geração de energia. Fortalecemos o nível de governança corporativa da empresa, promovendo sua adesão ao Nível 2 da BM&FBovespa, e unificamos sua liquidez em um único valor mobiliário – units. Temos desenvolvido um portfólio de novos projetos de fontes renováveis e termoelétricas que visam contribuir para a expansão e segurança da matriz energética do País. Buscamos também novas tecnologias, a exemplo do armazenamento de energia em baterias.

As perspectivas para 2016 seguem bastante desafiadoras, dentro de um complexo quadro macroeconômico, que impõe a necessidade de atuação efetiva e coordenada entre poder concedente, regulador, empresas e investidores, para mantermos a perspectiva de recuperação do equilíbrio geral do setor elétrico. Não podemos precipitar, entretanto, movimentos de sinais econômicos que não reflitam a realidade de custos de um processo de recuperação, necessária para a estabilidade de longo prazo de um setor fundamental para a competitividade e o desenvolvimento econômico do País.

Agradeço a nossos colaboradores, clientes, investidores, acionistas, financiadores, fornecedores, comunidades, órgãos reguladores e poderes públicos pela confiança e apoio.

Britaldo Soares
Presidente da AES Brasil